Por Marco A. Gandásegui

Professor de sociologia na Universidade do Panamá e investigador social do Centro de Estudos Latino-americanos Justo Arosemena (Cela)

O que quer dizer o novo presidente cubano? Pode-se interpretar de diferentes formas. Em primeiro lugar, não está em curso uma marcha para a economia de mercado. Segundo, a economia da ilha seguirá ao serviço das necessidades do povo cubano. Terceiro, o governo e todos os cubanos continuarão a resistir ao bloqueio dos EUA o qual completará 60 anos. Ao mesmo tempo, deixou transparecer que serão desenvolvidas reformas indispensáveis para enfrentar os novos desafios que as mudanças globais apresentam.

Cuba converteu-se numa economia com altos níveis de investimentos tecnológicos nos campos médicos e na educação. Porém, o bloqueio dos Estados Unidos não permite acesso ao mercado internacional. A China está se convertendo paulatinamente num mercado que pode complementar a economia cubana. Os governantes cubanos apostam no turismo e na normalização das relações com os EUA. Estas estão paradas devido aos compromissos do presidente Trump com os seus aliados de uma corrente minoritária da ultradireita cubana em Miami.

Enquanto Cuba tem conseguido manter boas relações com China e Rússia, retrocedeu com os EUA e, em grande parte, com a América Latina. O primeiro é estratégico, do ponto de vista económico. Já o segundo, é estratégico da perspectiva política. Cuba é um país com uma classe (media) trabalhadora capacitada muito grande, que pode converter o país de Martí numa potência económica na região. Os cubanos têm os melhores níveis de educação e de saúde se comparado com todos os países do mundo. Muito acima da média latino-americana e, inclusive, superior aos Estados Unidos. Mas está fechada pelo bloqueio.

 

Por Roberto Salomón 

Jornalista da Redação de Economia da Prensa Latina.

O direito à alimentação é um dos mais consagrados em Cuba desde 1959 e está associado à coletivização do uso da terra mediante a Lei da Reforma Agrária e de outras medidas.

A Constituição do país reconhece e protege esse e outros direitos como os económicos, sociais e culturais, a saúde, a educação, o trabalho e a segurança social. Na avaliação do representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o brasileiro Marcelo Resende, Cuba demonstrou o seu compromisso pelo desenvolvimento da produção alimentar com a colectivização das terras através da Reforma Agrária, cuja primeira lei foi assinada em 17 de maio de 1959.

O alto funcionário afirmou que desde os primeiros anos posteriores a 1959, o país começou a promover a agricultura como setor fundamental para produzir alimentos destinados à população, não só da ilha, mas também no mundo.

Nota do Gabinete de Imprensa dos Deputados do PCP ao PE 
Deputados do PCP no PE contra mais um acto de ingerência da UE nos assuntos internos da República Bolivariana da Venezuela 
3 Maio 2018, Bruxelas

 

Os deputados do PCP no Parlamento Europeu (PE) condenam a Resolução do Parlamento Europeu sobre as Eleições na Venezuela do próximo dia 20 de Maio, subscrita por quatro grupos políticos e imposta de modo intempestivo pela maioria do Parlamento Europeu, em violação do seu Regimento.

Esta Resolução integra a estratégia de sistemático desrespeito pela ordem constitucional da República Bolivariana da Venezuela, constituindo mais um passo nas operações de desestabilização, bloqueio económico, financeiro, político e diplomático contra a Venezuela e o seu povo (de que as sanções aplicadas pela UE são parte integrante). Constitui ainda uma inaceitável tentativa de condicionamento da livre expressão do povo venezuelano nas eleições presidenciais de 20 de Maio.

Os deputados do PCP no PE manifestam o seu repúdio às ameaças de mais sanções, medidas arbitrárias e discriminatórias contra a Venezuela, que violam abertamente os princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, bem como as ameaças explícitas de agressão militar por parte dos EUA e de outras potências imperialistas contra este País latino-americano.

Os deputados do PCP no PE sublinham que a postura da UE e das suas instituições em relação à Venezuela é contrária aos interesses do povo venezuelano e da comunidade portuguesa residente na Venezuela. Só uma atitude de respeito pela soberania da Venezuela e da sua ordem constitucional contribuirá para assegurar a normalização da situação e a salvaguarda dos interesses da comunidade portuguesa naquele país.

O povo venezuelano tem o direito a participar nas eleições presidenciais de dia 20 de Maio, sem estar sujeito a quaisquer condicionamentos, ameaças ou pressões externas. Neste sentido, a decisão da maioria do Parlamento Europeu de não reconhecer à priori as eleições do próximo dia 20 de Maio, é, para lá de um ataque à democracia, um inqualificável acto de desrespeito pela democracia, pela soberania e pela Constituição da República Bolivariana da Venezuela.

Exigindo o fim da ingerência, manobras e ameaças contra o povo venezuelano, os deputados do PCP no PE reafirmam a sua solidariedade com o povo venezuelano, com o legítimo governo da República Bolivariana da Venezuela e com as forças progressistas e democráticas que lutam em defesa da soberania e da paz, pelo desenvolvimento, a justiça e progresso sociais da Venezuela.

 

Fonte - Site do Parlamento Europeu do PCP

 

O 1º de Maio tem-se convertido, em virtude do seu esforço, em virtude do seu triunfo depois de 1º de Janeiro, num fator preponderante e decisivo da vida política do país, porque foi a classe operária que deu, com a greve geral que promoveu com o Exército Rebelde, o golpe final aoss planos de tirar ao povo a vitória, na hora derradeira, como tinha sido feito outras vezes».

«Esperamos que cada 1º de Maio milhares de homens e de mulheres de todos os recantos do planeta compartilhem connosco o Dia Internacional dos Trabalhadores. (...) Não foi em vão que muito antes do 1º de Janeiro de 1959 havíamos proclamado que a nossa Revolução seria a Revolução dos humildes, a favor dos humildes e para os humildes. Os sucessos da nossa Pátria nas esferas da educação, saúde, ciência, cultura e outros ramos, especialmente a força e a unidade do povo, estão demonstrando isso, apesar do desumano bloqueio ».

Fidel Castro

Randy Alonso Falcón

Jornalista cubano, diretor do portal Cubadebate e do programa da Televisão Cubana “Mesa Redonda”. É doutorando em Ciências Políticas da Universidade de Havana.

A Revolução é um processo dialético de transformações e experiências acumuladas, de mudança e continuidade, é uma obra coletiva como essência e prática imprescindível.

“A Revolução é a obra de todos, a Revolução é o sacrifício de todos, a Revolução é o ideal de todos e será o fruto de todos”, dizia Fidel Castro, em 29 de março de 1959, num discurso pronunciado no povoado de Güines.

Desde então, estamos construindo um projeto social inclusivo, participativo, democrático, no qual o poder popular seja pedra angular e decisiva. Assim o temos feito por nossos próprios caminhos, tratando de ser originais na nossa concepção de como se expressa e se exerce esse poder maioritário do povo.

Partimos, isto sim, das complexas batalhas, dos avanços e contradições da nossa própria História e do legado dos nossos heróis em busca de uma pátria livre e soberana e numa sociedade que conquiste “toda a justiça”, como aspirava o advogado Carlos Manuel de Céspedes, o qual há 150 anos lançou o primeiro combate pela independência de Cuba.