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Categoria: Notícias de Imprensa

O câmara da agência cubana de notícias Prensa Latina no Chile, Damián Trujillo, foi preso no domingo, 26 de abril, pelos carabineiros, na capital daquele país, enquanto se encontrava exercendo a sua profissão. O jornalista estava noticiando um protesto pacífico na praça La dignidad.

Autor: Raúl Antonio Capote | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Abril 2020

Jornalistas são detidos, após terem fotografado os abusos dos carabineiros contra as crianças mapuches, em Angol, Chile; algo que os Repórteres sem Fronteiras nunca veem

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O câmera da agência cubana de notícias Prensa Latina no Chile, Damián Trujillo, foi preso no domingo, 26 de abril, pelos carabineiros, na capital desse país, enquanto se encontrava a exercer a sua profissão. O jornalista estava a noticiar um protesto pacífico na praça La dignidad.

Nas imagens da detenção arbitrária do jornalista, pode observar-se como os carabineiros o introduzem pela força numa carrinha, apesar dos protestos dos seus companheiros.

Essa não é acaso uma clara violação do livre exercício do jornalismo? Por que a entidade Repórteres sem Fronteiras (RFS) se mantém em silêncio, perante este quebrar da liberdade de imprensa?

Um relatório falso dessa organização, recentemente, colocou Cuba na 171ª colocação, no que se refere às condições para o exercício da liberdade de imprensa, o que colocou a Ilha na última posição da América Latina e o Caribe.

A RSF é uma organização sediada em Paris, mas incondicional a Washington, que se caracterizou, durante estes anos, por sua ação obsessiva contra a Revolução Cubana, a Venezuela Bolivariana e a Nicarágua Sandinista.

No ano de 2005 participaram da campanha promovida pelo governo de George W. Bush, a fim de impedir a chegada de turistas à Ilha maior das Antilhas. Não se pode esquecer que o Plano Bush atribui um orçamento de US$ cinco milhões para as ONGs que «realizam actividades que procurem dissuadir os turistas de viajar para Cuba». Uma parte desse «butim vultoso» vai para as arcas dos RF.

Durante anos, os Sem Fronteiras dedicaram-se a financiar pseudo-jornalistas que trabalham ao serviço dos interesses dos Estados Unidos.

A sua parcialidade evidente a favor dos interesses de Washington no Iraque, Líbia, Haiti, Irão, Bolívia, Equador e do Chile é mais do que clara: ano após ano, nos seus relatórios mentirosos, condenam países que são considerados «inimigos» dos EUA; ou simplesmente, aqueles que não aceitam seguir à risca os ditados da Casa Branca.

De onde vêm os vultosos fundos com que contam estes senhores, supostamente defensores da liberdade de imprensa e de expressão?

O senhor Robert Ménard, um dos fundadores dos RSF, confessou, há poucos anos, com absoluta tranquilidade, ter recebido financiamento da Fundação Nacional pela Democracia (NED). Ménard foi muito claro: «Efectivamente, recebemos dinheiro da NED. E isso para nós não é nenhum problema», (1)

RSF nunca escondeu o seu relacionamento com o mundo do poder. «Um dia tivemos problemas com o dinheiro. Eu liguei para o industrial Francois Pinault para que nos ajudasse (...) Logo respondeu ao meu pedido. E isso é o que importa» porque «a Lei da Gravidade existe, caros amigos. E a lei do dinheiro também», disse Ménard. (2)

Os Repórteres Sem Fronteiras são financiados pelo grupo Dassault, recebe fundos da Hewlett Pckard, da Overbrook Foundation, entidade fundada por Frank Altschul, promotor da Radio Free Europe; do grupo Lagardere Publishing, da Fundação Hachette, do Open Society Institute, do jornal Frances Liberation e apropriaram-se de vultosos recursos dos maiores oligopólios dos mídia mundiais.

Do dinheiro que o governo dos EUA dedica cada ano para subverter a ordem interna da Ilha, a RSF beneficia através da NED, a Usaid, Freedom House, Center for a Free Cuba, a Fundação Nacional Cubano-Americana, a ONG tcheca People in Need e de muitas organizações que compõem o tecido de instituições que servem de fachada ao governo ianque e à CIA nas suas acções contra a Revolução Cubana.

Num relatório de 15 de janeiro de 2004, RSF liberou de qualquer envolvimento os militares estadunidenses responsáveis pelo assassinato do jornalista espanhol José Couso e do seu colega ucraniano Taras Protsyuk, no hotel Palestina, em Bagdá. RSF fez uma apologia da invasão ao Iraque, em 16 de agosto de 2007, durante o programa radiofónico «Contre-expertise». Robert Ménard, na época secretário-geral dos RSF, legitimou o uso da tortura.

Durante o golpe de Estado conta Hugo Chávez, em abril de 2002, apoiaram abertamente os usurpadores, deram luz verde ao golpe de Estado contra o presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide, contra Manuel Zelaya nas Honduras, e contra Evo Morales na Bolívia.

O próprio jornal francês Libération, patrocinador a organização, refere que RSF não diz palavra alguma acerca dos abusos dos meios inasormativos ocidentais. ««Daqui em diante, a liberdade de imprensa será exótica ou não será». Muitos criticam o seu assanhamento contra Cuba e a Venezuela e a sua indulgência para com os Estados Unidos, o qual não é falso». (3).

Repórteres Sem Fronteiras tem dono e não tem fronteiras na hora de receber dinheiro das multinacionais, dos oligopólios, dos ricos deste mundo.

Como pode ser independente, como apregoa, quem subordina o seu trabalho e vende a sua moral e sua éctica aos ditames dos poderosos deste mundo? A RSF é uma instituição orgânica do poder global do império, somente isso; outro biombo que serve para justificar as agressões e converter em demónios os inimigos do poder hegemónico capitalista.

NO CONTEXTO

- O Programa Cuba da Usaid dedicou, entre os anos 1998 e 1990, mais de US$ 6 milhões para a subversão interna no nosso país.

- Somente em 2001 produziram-se mais de 200 entregas de dinheiro em mão a «ativistas» e «jornalistas independentes», avaliadas em mais de U$ 100 mil.

- Entre os anos fiscais 2001 e 2006, a Usaid atribuiu para a luta contra Cuba US$ 61 milhões, para uns 142 projectos.

- O Programa Cuba, entre os anos 2007 e 2013, atingiu a quantia de mais de US$ 120 milhões.

- Os programas sob a etiqueta «Liberdade de informação» promoveram, entre 2014 e 2017, uns 39 projectos, com um montante de mais de US$ 6 milhões. A NED contribuiu, igualmente, com mais dois milhões.

- Em 2018, a NED entregou à Cubanet News Inc. US$ 220 mil; entregou para promover a «Liberdade de Informação» outros US$ 60 mil; para a editora Hypermedia Inc. US$ 72 mil; para o Instituto de Comunicação e Desenvolvimento US$ 65 mil; para a «Integração» de Cuba nas redes regionais de meios US$ 64 mil (dedicado a jovens jornalistas).

- Os programas subversivos da NED e a Usaid contra Cuba, no último ano fiscal 2018-2019, estão reunidos em mais de 70 projectos promovidos dentro e fora do país, com uma atribuição superior aos US$ 14 milhões.

Fontes: Razones de Cuba, Cubainformación e artigos de Salim Lamrani e Jean-Guy Allard.

(1) Robert Ménard «Fórum de discussion avec Robert Ménard», Le Nouvel Observateur, 18 de abril de 2005.

(2) Verdades sobre Reporteros Sin Fronteras, Investigaction.net

(3) Verdades sobre Reporteros Sin Fronteras.

Maio, 2020