Poucas vezes em nenhum processo — e talvez nunca num processo político — um pensamento, uma mente, uma inteligência tenha sido capaz de fazer uma contribuição tão grande. Lenine foi um pesquisador incansável, um trabalhador incansável.

Autor: Fidel Castro Ruz | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Abril, 2020

Foto: Granma

 

Poucas vezes em nenhum processo — e talvez nunca num processo político — um pensamento, uma mente, uma inteligência tenha sido capaz de fazer uma contribuição tão grande. Lenine foi um pesquisador incansável, um trabalhador incansável. E pode dizer-se que desde que teve consciência política não descansou um único instante ao longo de sua vida, não descansou um único instante de pesquisar, de estudar e de trabalhar no caminho da revolução.

Não houve gladiador que tenha travado mais combates ideológicos dos que travou Lenine. É impressionante a quantidade de batalhas no campo ideológico por ele travadas.

E a sua história não é neste caso comparável com a história de outros homens que fizeram feitos extraordinários com méritos pessoais.

Lenine é um desses casos humanos realmente excepcionais. A simples leitura da sua vida, da sua história e da sua obra, a análise mais objectiva da forma em que desenvolveu o seu pensamento e a sua actividade ao longo de sua vida tornam-no, realmente, diante dos olhos de todos os humanos, um homem verdadeiramente — repito — excepcional.

Coube a Lenine a possibilidade não somente de desenvolver a teoria, mas achou o campo de acção concreto e a oportunidade de levá-la à prática.

A homenagem a Lenine deve ser feita com sentimento. Porém, quando é estudada sua obra e a sua vida, quando é estudado o pensamento e a sua doutrina, os povos adquirem aquilo que poderia ser chamado de um verdadeiro tesouro, do ponto de vista político.

Quando se faça uma avaliação superior das personalidades — repito — da história, Lenine, junto com Karl Marx, brilharão entre os homens, os pensamentos, as inteligências, as condutas que maior transcendência tiveram na história da humanidade.

Nós lembramos que naqueles meses que transcorreram depois dos sucessos de 26 de julho de 1953, a maior parte do pequeno grupo de companheiros que estava envolvido naquelas tarefas, andava sempre com os livros de Marx e de Lenine. E lembramos que alguns desses livros de Lenine — porque foram de Lenine

— caíram nas mãos da polícia, nas blitz que fizeram depois do Moncada. E lembramos que no julgamento do Moncada, um procurador com desejos de sobressair, entre as suas maiores acusações, entre as suas mais — digamos — perguntas capciosas, lançou a pergunta de que se era verdade que nós tínhamos aqueles livros de Lenine e se eram nossos.

Lenine foi, desde o primeiro instante, não somente um teórico da política, um filosofo da política, mas um homem de acção, um homem de prática revolucionária constante e incessante; e coube-lhe desenvolver aquela doutrina e aplica-la em condições muito difíceis.

Das obras de Lenine nós tiramos conclusões que foram decisivas — naturalmente, quando falo do leninismo falo do marxismo, das ideias essenciais de Karl Marx desenvolvidas por Lenine — e uma muito especificamente de Lenine, que foi O Estado e a Revolução, que nos esclareceu tantos conceitos, que nos deu tanta luz na hora de elaborar a estratégia revolucionária, a luta pela conquista do poder revolucionário, e que tão decisiva foi para poder elaborar essa estratégia.

Quando as figuras de topo do pensamento revolucionário da Europa não levavam em conta para nada os revolucionários russos; quando olhavam, inclusive com certa rejeição, aqueles revolucionários russos, quando muitos deles nem sequer tinham dedicado um minuto a ter em conta o pensamento de Lenine e, inclusive, a possibilidade de uma revolução marxista naquela Rússia dos czares, Lenine empreendia a sua longa peregrinação; o seu longo e prolongado combate para fazer avançar uma revolução marxista nas condições daquele país.

Mas é que um estudo realmente objectivo da historia, não admite comparação possível: não admite comparação possível! Não admite pôr ao lado do de Lenine nenhum outro pensamento, porque o pensamento de Lenine destaca desde o começo até o fim e é a espinha dorsal, a alma desse processo.

E é precisamente no seio desse país, no seio do império dos czares onde surgiu este homem genial, verdadeiramente genial; e desenvolve ali e aplica ali, com um sentido extraordinariamente criativo, a doutrina marxista.

Defendeu a doutrina de Marx frente a todas as mistificações, tergiversações e deformações. Defendeu-a e demonstrou quanta razão tinha. Os factos históricos demonstraram como todas aquelas correntes contra as quais ele combateu conduziram, nos distintos países da Europa, à crise do movimento revolucionário, ao fracasso do movimento revolucionário, à traição ao movimento revolucionário.

Lenine disse que uma revolução valia quando era capaz de se defender. Dizendo a verdade, nossa Revolução demonstrou que é capaz de se defender. E defende-se com poderosos instrumentos.

Não deixaremos de admirar Lenine e cada dia o admiraremos mais. Quanta falta dele sentimos?

Nem eles podiam imaginar jamais que um país pequeno aqui, ao lado do monstro e por sua própria conta, sem a maior ajuda, sem um tostão, nem uma arma, nem nada, mas por nossas próprias conclusões, teria feito uma revolução tão radical e tão profunda como a que fizemos em nosso país, inspirados nas ideias patrióticas tradicionais de nosso povo e de nossos grandes próceres, em José Martí, mas também em Karl Marx, Vladimir Ilicht Lenine, Friedrich Engels e dos demais que nos permitiram — a mim, pelo menos — ter uma ideia daquilo que era a sociedade e o mundo.

É preciso dizer que Lenine não somente foi um dos homens mais criadores, mais lutadores e mais geniais, mas sim um dos homens mais valente, moralmente valente. Valor que demonstrou no meio de provas muito difíceis, ao longo de sua vida e ao longo do processo revolucionário.

Fontes: Excertos de discursos do Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz, nos anos de 1970, 1981, 1992 e 2001.