Enquanto o coronavírus provoca a pior crise no âmbito da saúde pública das últimas décadas, Washington empenha-se em limitar a capacidade de Cuba enfrentar a pandemia

Autor: Alejandra García | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Abril, 2020

Foto: Prensa Latina

Cada dia, a administração de Trump amplia as restrições para impedir o acesso da Ilha a remédios e insumos de primeira necessidade.

O doutor Lázaro Silva Herrera, vice-presidente da empresa importadora e exportadora cubana de produtos médicos MediCuba disse que, perante a política genocida do bloqueio, a Ilha responde de maneira contundente: «Temos os recursos indispensáveis para garantir o atendimento médico do povo, nestes tempos da Covid-19».

Destacou que, a partir dos primeiros casos de contágio, Cuba agiu com rapidez. «O sistema de saúde adquiriu logo os recursos imprescindíveis para conter a doença e assistir as pessoas diagnosticadas».

Apesar do acirramento do cerco económico estadunidense, o especialista reiterou uma mensagem de alívio ao povo cubano: «Embora a situação venha a agravar-se, concentraremos os nossos esforços em garantir a disponibilidade dos recursos destinados a enfrentar o novo coronavírus, bem como os que são empregados para tratar de outras doenças, que estejam em Cuba no momento oportuno», acrescentou.

Silva Herrera qualificou de convulso o contexto internacional, no meio de uma epidemia que disparou o preço das máscaras de proteção e os ventiladores pulmonares.

Quanto aos danos que produz o bloqueio económico ao sector da Saúde em Cuba, o doutor Néstor Marimón Torres, director das Relações Internacionais e Colaborador, do ministério da Saúde Pública (Misap) informou que os prejuízos são contabilizados em US$ 160 milhões, «US$ 60 milhões a mais que na mesma etapa do ano anterior».

O bloqueio impediu, recentemente, a chegada a Cuba de uma doação do fundador da empresa Alibaba, o gigante eletrónico chinês, pois a empresa transportadora pertencia a uma entidade estadunidense. «E esse é apenas um exemplo», lamentou Marimón Torres.

Enquanto a guerra económica limita o desenvolvimento normal do sector da Saúde na Ilha, Cuba dá aos Estados Unidos uma lição de humanidade. Dezenas de brigadas médicas estão a viajar os países mais afectados pela pandemia.

«A solidariedade é, nestes tempos, a obra mais humana que possamos defender», afirmaram coincidentemente ambos os especialistas.

EM NÚMEROS

US$ 922,6 bilhões – os danos quantificáveis do bloqueio contra Cuba.

US$ 138,8 bilhões – Os danos aos preços correntes

US$ 4,3 bilhões – Entre abril de 2018 e março de 2019

US$ 104 milhões – Somente na Saúde, entre Abril de 2018 e Março de 2019: tecnologias, reagentes, matérias primas, equipamentos, remédios…