«Hoje Cuba acordou vivente, enérgica, trabalhando melhor do que ontem, porque havia mais solidariedade entre os cubanos», disse em 12 de Setembro passado o presidente dos Conselhos de Estado e Ministros, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, durante o seu discurso no segundo programa de televisão

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Setembro, 2019 

Foto: Ismael Batista

 

«Hoje Cuba acordou vivente, enérgica, trabalhando melhor do que ontem, porque havia mais solidariedade entre os cubanos», disse em 12 de Setembro passado o presidente dos Conselhos de Estado e Ministros, Miguel Diaz-Canel Bermúdez, durante seu discurso no segundo programa de televisão. Mesa Redonda, dedicada a explicar o plano de medidas de curto prazo para enfrentar a situação energética no país.

Com um agradecimento ao povo de Cuba pelo apoio expresso, não apenas em termos de apoio, mas de contribuição e solidariedade, Díaz-Canel começou as suas palavras. «Essa atitude», disse, «à qual estamos acostumados, é muito mais importante que um navio de combustível».

«Nós temos um povo imenso!» afirmou, e com isso evocou uma das frases ditas pelo general-de-exército, Raul Castro: «Obrigada Cuba pelo apoio» e pelo que contribui com as dúvidas, as preocupações e até com as poucas, mas reais insatisfações. Isso, disse, nos diz por onde estamos indo e até onde não vamos.

O presidente também agradeceu aos jovens, principalmente pelo comprometimento com que interpretaram o chamado feito e a convicção demonstrada em dar as respostas que precisamos. E enfatizou que «isso é pensar como um país. É pensando em Cuba».

Nas palavras do presidente cubano, todo mundo que compartilha ideias e esforços, não apenas a partir do seu pequeno pedaço, está pensando como um país. Cabe ao governo entender, ouvir e, acima de tudo, explicar.

Existem dificuldades, reconheceu, que foram explicadas; mas não há alarme. As dificuldades são conjunturais, de curto prazo e não resultam de negligência ou improvisação. «Nunca voltamos as costas às possíveis crises que se anteviam diante da escalada imperial», disse.

Segundo Díaz-Canel, não se pode esperar que tudo aconteça normalmente na Ilha, se vivemos sob um bloqueio injusto que dificulta a entrada de suprimentos em Cuba. O governo está enfrentando intensamente as contingências que derivam dessa medida. Não sentimos o impacto do bloqueio com mais força devido ao trabalho do governo.

A importância de manter a população informada foi outra questão abordada. «Essa é a nossa obrigação como funcionários públicos: comunicar com transparência. É a maneira mais precisa de evitar incertezas e rumores, os mesmos usados pelo inimigo para quebrar o moral do povo», afirmou.

Entre as notícias falsas divulgadas após essa situação, reconheceu o Chefe de Estado, está o boato de que o governo tomará medidas extremas. «Aproveitamos este espaço para acabar com essa informação. Explicaremos claramente as decisões que implementamos. Dizemos ao povo a verdade. Essa é a melhor maneira de superar obstáculos».

«À perseguição do império, que insiste em gerar rumores, responderemos com firmeza», disse, agradecendo à imprensa cubana, porque, apesar do bloqueio de tantas contas no Twitter, a mensagem do povo foi transmitida ao mundo.

Nas palavras de Díaz-Canel, Cuba hoje amanheceu intensa, ativa, não paralisada. Amanheceu com um sentimento multiplicado de solidariedade, apesar do declínio nos transportes.

Acordamos, disse, «entregando assinaturas para levar às Nações Unidas nossa rejeição às agressões do império contra nossa irmã Venezuela; Acordamos dando ajuda às Bahamas para sua recuperação, depois do furacão Dorian, que demonstra o conceito do Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz de que Cuba compartilha o que tem e não o que lhe resta, porque neste momento nos faltam muitas coisas e não temos mais nada; Mas continuamos dando solidariedade.

«Além disso, acordamos», acrescentou, «com duas notícias estimulantes para a economia: uma joint venture com a Rússia no setor industrial e a oposição ao bloqueio de empresários agrícolas dos EUA».

Outra orientação do presidente esteve relacionada ao acompanhamento de dúvidas, em correspondência com as particularidades de cada ministério. Ele informou sobre a análise no Conselho de Ministros das medidas tomadas e, a partir de agora, as visitas às províncias começarão a avaliar sua implementação e socializar as melhores experiências.

À sensibilidade de quadros e líderes mais uma vez apelou Díaz-Canel, especialmente em questões complexas como o transporte, ao mesmo tempo em que exigia, nos escritórios de atenção à população e nos sites, ser mais ativos no processamento dos problemas e na transferência de respostas.

No seu discurso, ele também revisou as coincidências e mistérios das datas, porque «no calendário cubano não há dia sem história».

Lembrou que «em 12 de Setembro de 21 anos atrás, nossos agentes que se infiltraram nos grupos terroristas daquela cidade foram brutalmente detidos em Miami. Hoje, os Cinco já estão na Pátria e são heróis por sua dignidade e resistência.

«Em 12 de Setembro», continuou, «mas a partir de 1973, Fidel, no meio da guerra, visitou o Vietnam e reconheceu o heroísmo daquele povo, sua decisão e seu valor admirável».

Quase no final, Díaz-Canel retornou a Fidel e uma de suas frases que foi proferida em Dezembro de 1991: «Com nossa vergonha, com nossa dignidade, com nossa honra, com nosso patriotismo, com nossa consciência revolucionária, com nosso espírito, poderemos superar qualquer obstáculo que possa surgir. Mas, de facto, nosso povo — podemos dizer com orgulho — está escrevendo uma página histórica sem precedentes».

E se a gratidão ao povo cubano marcou o início do seu comparecimento, o fim também foi de gratidão e firmeza: «Pátria ou morte, venceremos!».

O QUE OCORREU EM CUBA NOS ANOS 90 E POR QUE NÃO SUCEDERÁ DE NOVO?

«Neste momento não ocorreu o que aconteceu durante os anos do verdadeiro ‘período especial’», asseverou Alejandro Gil Fernández, ministro da Economia e Planeamento.

«Nos 90, o Produto Interno Bruto de Cuba reduziu em mais de 30% em um curto período de tempo, e se perdeu mais de 80% do comércio exterior. Isso não ocorre hoje, pois as importações na Ilha se mantêm estáveis e continuamos diversificando as exportações», significou.

Ainda que o país esteja imerso nesta situação energética temporária, «também não renunciamos à meta de crescimento do Produto Interno Bruto para 2019, afirmação que não defenderíamos se não tivéssemos uma garantia razoável de que podemos consegui-la», ressaltou.

Os principais esforços estão concentrados em tentar que a economia não se contraia, que continue avançando, reiterou.

O facto de que não vamos voltar a esses cenários, que tivemos que enfrentar nos anos 90, não significa que não temos muito ainda para resolver, incluindo nossas próprias deficiências internas, reconheceu.

Ainda, durante sua intervenção, o ministro alertou sobre uma realidade inapagável: a possibilidade de que continue se estreitando o cerco econômico, que impõe o governo dos Estados Unidos. «Podem vir dias mais difíceis, tendo em conta as tensões geopolíticas do mundo e o acirramento das políticas do presidente norte-americano, Donald Trump», disse.

Apesar do desafio que impõe a nova situação, não duvidamos que ela nos vai permitir estar melhor preparados, e idealizar melhores planos perante conjunturas similares no futuro, sublinhou.

«Hoje a prioridade está em trabalhar para dar respostas. Não se trata de encontrar justificações, mas sim soluções».

Acerca do respaldo do povo, Gil Fernández comentou: «temos recebido muitas opiniões, propostas e denúncias. Estas últimas são bem-vindas e dão a possibilidade de corrigir o mal feito».

Para que a população faça parte da superação desta etapa, os ministérios envolvidos ofereceram os telefones e e-mails de todos os organismos, para que comentem suas contribuições, propostas e queixas. «Enfrentemos esta situação entre todos. Tomemos medidas efetivas, que possamos sistematizar quando tudo passar», exortou.