A determinação do porto-riquenho Alex Cora, secundado por outros jogadores de beisebol do time Boston Red Sox, em não comparecer ao convite de Donald Trump na Casa Branca, aumenta a lista de decepções do presidente

Autor: Alfonso Nacianceno/Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. 

Maio 16, 2019

 

Alex Cora

 

Cora, que no seu primeiro ano como treinador do Red Sox venceu a World Series, em 2018, expressou a sua insatisfação com a falta de interesse do presidente na recuperação de Porto Rico, um ano e meio depois da Ilha ter sido devastada pelo furacão Maria.

Já os líderes da World Series 2017, os Astros de Houston, tiveram no porto-riquenho Carlos Beltran uma voz bem escutada para reafirmar o seu desapontamento, também pela forma desprezível como Trump trata o seu país. Ele e o seu compatriota Carlos Correa não compareceram ao tributo.

A ideia de receber na Casa Branca os times campeões profissionais e universitários nas respectivas ligas foi estabelecida pelo republicano Ronald Reagan, nos anos 80 do século passado e, desde então até hoje, nenhum chefe de governo Estados Unidos excedeu o número de fiascos arquivados por Trump, como anfitrião das estrelas.

No mesmo ano da sua estreia no escritório oval, o magnata de Nova York notou como a bola do time Golden State Warriors acabou por escorregar das suas mãos, quando depois de ter triunfado no concurso da NBA 2017, vários dos seus jogadores de basquete, liderados por Stephen Curry, não aceitaram o convite. Diante da recusa, como uma reacção soberba e intempestiva, Trump escreveu no Twitter que retirava a convocatória ao encontro.

Os Warriors reconquistaram a primeira colocação em 2018 e o desacordo viria a ser ainda mais patético para o presidente. Antes de dispensar a visita à Casa Branca e antes do seu último jogo vitorioso, o elenco reuniu-se por mais de uma hora no escritório do ex-presidente Barack Obama, em Washington. Os jogadores haviam aceitado o convite em 2015, quando também eram campeões e Obama estava no poder.

Beisebol, basquete e futebol americano desfrutam de grandes fãs nos Estados Unidos. Com esta última disciplina Trump também se chocou, na ocasião em que alguns jogadores, ao ouvirem o hino nacional antes do começo dos jogos da NFL se ajoelharam em protesto contra a discriminação racial e a exclusão.

Os homens do Philadelphia Eagles, vencedores do Super Bowl de futebol americano de 2018, também mostraram os seus desentendimentos com a actual administração, como fez o treinador de basquete LeBron James numa entrevista, na qual acusou Trump de «usar o desporto para dividir aos cidadãos na questão racial».

Desde a sua chegada à Casa Branca, estas visitas tornaram-se controversas, com respostas negativas em que o sarcasmo não faltou, no estilo do jogador de futebol Chris Long quando lhe pediram que opinasse: «Não, eu não irei. Você está brincando?»

 

Junho, 2019