Todos sabem disso na Venezuela: os atendimentos são baseados na ética médica. A nenhum paciente é perguntado sobre sua filiação política ou lhe pedem dinheiro; são pessoas, pacientes, seres humanos... e isso é suficiente para sensibilizar os médicos treinados nos valores da Revolução. Para torná-la grande, eles não têm que inoculá-la

Autor: Julio César García Rodríguez | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

Foto: Estudios Revolución

 

Díaz-Canel visitou pacientes venezuelanos, atendidos por médicos cubanos.

A história da colaboração cubana com o mundo é marcada pelo cumprimento de preceitos éticos na conduta e posição do nosso Estado e governo de não interferir nos assuntos internos de qualquer país e de respeitar a soberania das nações e o Direito internacional.

As centenas de milhares de compatriotas que prestam serviços nos cinco continentes consideram e cumprem esses princípios. Assim, fortalecidos por eles, nós, cubanos, trabalhamos na terra natal de Simón Bolívar e de Hugo Chávez.

A República Bolivariana da Venezuela é o segundo país do mundo com a maior presença de colaboradores internacionalistas cubanos, desde 1º de Janeiro de 1959, só superado pelo povo fraterno de Angola, que viu viver, trabalhar, lutar e morrer ao seu lado incontáveis filhos de José Martí. A Venezuela é também a nação com a maior diversidade de especialidades em saúde, desporto, cultura, educação, comunicações, agricultura, alimentação, indústria, ciência, energia e transporte, entre outros sectores.

Com o triunfo popular e a chegada ao poder do Comandante Hugo Chávez, a Revolução colocou o ser humano no centro de tudo. Pela primeira vez, milhões de pessoas desclassificadas e pobres sentiram-se valorizadas e tiveram acesso a programas de protecção social que o governo desenvolveu, com o apoio de 73% do PIB em benefício da maioria.

Daí surgiram as missões sociais, criadas e promovidas por Chávez como «a alma da Revolução», pelo seu carácter inclusivo, popular, participativo, democrático, humano, solidário e genuinamente socialista.

Neste contexto, no coração do povo e de sua Revolução estão inseridos os colaboradores cubanos. Fidel delineou os princípios fundamentais da cooperação: em primeiro lugar, cuidar bem do povo venezuelano, preparar os substitutos e cuidar de nossas tropas. Estes foram, são e serão o guia da presença cubana neste país irmão.

A Missão Bairro Dentro Saúde é a que tem maior impacto. Os nossos colaboradores estão distribuídos nos 24 estados e 335 municípios do país. Vivem dispersos em todas as paróquias e oferecem os seus serviços em mais de 1.500 cenários de trabalho. Podemos encontrá-los tanto num morro, com os mais humildes, como nas colinas, onde residem os cidadãos da classe rica e da burguesia média.

 

VENEZUELA CORAÇÃO DENTRO

Todos sabem disso na Venezuela: o atendimento é baseado na ética médica. A nenhum paciente é perguntado sobre sua filiação política ou lhe pedem dinheiro; são pessoas, pacientes, seres humanos... e isso é suficiente para sensibilizar os médicos treinados nos valores da Revolução. Para torná-la grande, eles não precisam inoculá-la.

Exemplos abundam nos dias de hoje e em momentos excepcionais, como nos meses das guarimbas (revoltas) de 2017 ou nos dias 22 e 23 de Janeiro deste ano e, mais recentemente, no dia 23 de Fevereiro, quando foram atendidos por cubanos, no Centros de Diagnóstico Integral, pessoas feridas por armas de fogo, golpes e até queimaduras, tanto chavistas quanto opositores, com a mesma qualidade e disposição.

Após o uso da clínica, o método mais directo e eficaz, pode ser aplicado a qualquer paciente, sem qualquer distinção, um teste de diagnóstico, um tratamento com medicamentos ou reabilitação, uma intervenção cirúrgica e, se necessário, até mesmo um tratamento especializado em Cuba.

Controle? Sim, existe, mas está muito distante da abordagem que lhe atribuem os inimigos de Cuba e da Venezuela. Como em qualquer parte do mundo, as estatísticas de saúde são registadas, não no sentido mercantilista, mas para avaliar o impacto de doenças e tratamentos, qualidade de vida e acções de prevenção.

Nos 18 anos de desenvolvimento da Missão Bairro Dentro Saúde, foram oferecidos 1,5 bilião de serviços médicos, 1.473.317 vidas foram salvas e 3.991.967 intervenções cirúrgicas foram realizadas.

Entre os 10.388 serviços que são prestados estão os cuidados com pessoas com deficiência, tratamentos odontológicos e oftalmológicos e o acompanhamento de doenças crónicas, como a diabetes. Em apenas dez anos, 209.607 pacientes destes últimos foram tratados, com a aplicação do HebertProt p, fruto da ciência cubana, de grande impacto, que reduziu para 3%, nas pessoas tratadas, os casos de amputação de membros, enquanto as estatísticas da Venezuela mostram que os pacientes que não recebem o produto cubano são amputados entre 40 e 60% dos casos.

Há algo que distingue o trabalho do sistema de saúde desenvolvido pela Revolução no programa Bairro Dentro, primeiro com os médicos cubanos que trabalharam na comunidade e agora com os médicos integrais comunitários venezuelanos que vêm substitui-los, nos 13.617 consultórios populares, é o trabalho de campo, casa para casa, e com desdobramentos abrangentes, com a participação de fatores comunitários, não buscando votos eleitorais ou fazendo pressão política, mas exercitando a medicina social, aquela que, a partir da alma, cura as doenças.

 

NÃO HÁ AGENTES OU SOLDADOS CUBANOS NA TERRA BOLIVARIANA

Na Venezuela, os agradecidos permanecem, voluntariamente e com um alto senso de coragem e firmeza revolucionária. Aqueles que cumprem um dever solidário permanecem unidos aos venezuelanos em face das agressões e ameaças do império e seus lacaios. Somente aqueles que vieram procurar mais vantagens abandonaram a causa.

Não há agentes ou soldados cubanos em solo bolivariano, apenas colaboradores que amam a paz, o amor e a vida, que ensinam e aprendem diariamente.

Tal como em Cuba e através da Missão Robinson — nome tomado do pseudónimo do ex-professor do Libertador Simón Bolívar — 3.095.546 venezuelanos foram alfabetizados, usando nesta bela causa nosso método «Sim, eu posso».

Certamente afirmamos que o povo venezuelano é agora mais culto e livre, pensa, raciocina e decide o seu próprio destino, graças às missões sociais da Venezuela e de Cuba.

O presidente constitucional Nicolás Maduro Moros reforçou o Sistema de Missões e Grandes Missões Socialistas Hugo Chávez, ratificando que elas constituem uma fonte de poder social, económico e político. Ombro a ombro, por paz e amor, nós, cubanos, sempre o acompanharemos.

 

NO CONTEXTO:

Nenhum médico cubano nega o serviço e muito menos arrisca a vida de um paciente para alcançar fins políticos

A colaboração médica internacional cubana foi desenvolvida há 55 anos e está presente em 124 países, com mais de 400.000 profissionais de saúde.

Desde que a colaboração médica cubana começou na Venezuela, mais de 140.000 trabalhadores de saúde trabalharam lá, ofereceram milhões de cuidados médicos e mais de 24.000 médicos comunitários foram treinados.

As missões Bairro Dentro I e II trouxeram saúde ao povo da Venezuela de maneira altruísta, como caracteriza nossos profissionais

Somente aqueles que apoiam o golpe do exterior podem tentar manchar a sua honra.

A colaboração cubana na Venezuela é a solidariedade defendida por Fidel e Chávez

Mais de 220.000 especialistas cubanos de diferentes sectores passaram pelo solo bolivariano nesses anos. Esse é o verdadeiro exército cubano, não aquele que os líderes do golpe pregam.

Abril, 2019