O 40º Festival de Cinema de Havana dedica uma secção a fitas clássicas que foram restauradas

Autor: Mireya Castañeda | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Poster do Retrato de Teresa, do director cubano Pastor Vega, que contou com excelentes performances de Daysi Granados e Adolfo Llauradó.

O Festival Internacional do Novo Cinema Latino-americano abriu, há dois anos, uma secção dedicada a filmes clássicos que foram restaurados. O seu diretor, Iván Giroud, disse então que, com essa decisão e novidade, se trata de «ressaltar a importância de salvar a nossa memória».

Tudo começou com quatro filmes cubanos: Retrato de Teresa, de Pastor Vega, e três de Tomás Gutiérrez Alea, dois deles Los sobreviviente e Una pelea cubana contra los demonios, restaurados pelo Arquivo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados-Unidos da América do Norte.

O terceiro filme de Gutiérrez Alea é Memorias del subdesarrollo, cuja restauração foi realizada pela Cinemateca de Bolonha. Neste ano, pelo Coral de documentário concorreu o título Sergio Corrieri... más allá de Memorias, de Luisa Marisy, sobre o actor principal desse clássico de Titón.

Em 2018, a visão foi ampliada e apresentaram-se oito clássicos restaurados da história do cinema latino-americano, com forte presença da cinematografia argentina.

Exibiu-se La película del rey (1985) obra-prima do argentino Carlos Sorín que mereceu prémio em Veneza, Goya e Grande Prémio Coral em Havana. O filme parte de factos reais incríveis: a odisseia do francês Orélie Antoine de Tounens, que no século 19 se autoproclamou rei da Patagónia. Sorín, um dos directores-chave na região, voltou para o 40º Festival com um grande título, Joel.

Chegou também restaurada a enorme fita La Historia Oficial (1985), Óscar e Globo de Ouro e segundo Coral no 7º Festival de Havana, do argentino Luis Puenzo, com a adicção maravilhosa que seu director apresentou em pessoa, pois é este ano presidente do júri de longas-metragens de ficção.

A atriz Norma Aleandro e actor Héctor Alterio, imensos em La história oficial, de Luis Puenzo. 

Do lembrado director argentino Eliseo Subiela poderia ser revisitado El lado oscuro del corazón (1992), tornado filme de culto. Em Havana, ganhou o segundo Coral e o de melhor desempenho para Dario Grandinetti, que voltou neste ano para a tela do Festival com o filme Rojo, de Benjamin Naishtat.

Outro argentino, Tristán Bauer, pôde pessoalmente apresentar a cópia restaurada de seu loga-metragem Iluminados por el Fuego (2005), que fala da Guerra das Malvinas através de um homem de 40 anos que aos 18 anos foi levado para lutar como recruta. No evento de Havana daquele ano, alcançou o Primeiro Coral e o de Trilha Sonora. Bauer concorreu em 2018 com o documentário El camino de Santiago. Desaparición y muerte de Santiago Maldonado.

Também se exibiu a primeira parte do filme antológico La hora de los hornos (1968) clandestinamente filmadas pelo argentino Fernando Pino Solanas, um dos fundadores do Novo Cinema Latino-americano.

Da cinematografia mexicana foi restaurado o filme Reed, México Insurgente (1973), de Paul Leduc, sobre o livro do jornalista americano John Reed, que relata suas experiências na Revolução Mexicana. Um facto de interesse: a produtora é Bertha Navarro, que por sua carreira recebeu um Coral de Honra.

Um filme brasileiro Pixote (1981) é outro importante título de Héctor Babenco agora restaurado, que lida com sensibilidade e crueza a história de um menino da favela.

Uma secção principal é esta dos Clássicos Restaurados, da qual Iván Giroud disse: «...salvar não é só proteger, mas também – e fingiremos que acima de tudo – é redescobrir, oferecer às novas gerações a oportunidade de que conheçam o nosso cinema. Temos o dever de devolver estes filmes aos nossos cinemas, agora que retornam como novos em formato digital, o que nos permitirá fazer outras leituras e aproximações».