Bolsonaro está focado em Washington e na administração Trump para criar condições favoráveis para as suas políticas anti-cubanas e anti-venezuelanas para aconselhar o binómio Jair-Eduardo, pai e filho.

Autor: Elson Concepción Pérez | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Dezembro 2018

 

Foto: Twitter - Eduardo Bolsonaro com Orlando Gutiérrez em Miami

 

Seria ingénuo acreditar que o ataque de Jair Bolsonaro contra os médicos cubanos para que abandonassem o Brasil, não faça parte de um plano maior, cujos tentáculos estão claros, embora ainda não tenha assumido a presidência.

Mas já está claro até que ponto consegue chegar com as suas intrigas contra a Ilha que salvou a vida de milhares de seus conterrâneos e atendeu com meticuloso profissionalismo milhões deles.

Bolsonaro está focado em Washington e na administração Trump para criar condições favoráveis para as suas políticas anti-cubanas e anti-venezuelanas para aconselhar o binómio Jair-Eduardo, pai e filho.

Todos os dias aparece um novo elo: a reunião efusiva de Jair com o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, onde a questão principal foi a Venezuela e Cuba, e não apenas exactamente para reconhecer os avanços dos dois países nas áreas da saúde, educação, trabalho e outros benefícios com impacto directo na população ou sua solidariedade comprovada.

Em Miami, o filho do novo presidente, Eduardo Bolsonaro, realizou um encontro amistoso com Orlando Gutierrez, um dos piores representantes da máfia cubano-americana, ligado a terroristas e funcionários assalariados da Usaid. É o principal chefe em Miami da campanha da oposição contra a menor abertura de relações, como ocorreu durante a presidência de Barack Obama.

Para deixar um registo gráfico da sua posição, na mencionada visita, Eduardo Bolsonaro pousou diante das câmaras com o terrorista de origem cubana Orlando Gutiérrez.

Num tweet, o filho do Presidente brasileiro enfatizou: «a esquerda uniu-se e gerou uma sangrenta ditadura em Cuba. É hora de nos unirmos para desfazer a fera que eles fizeram».

Para mostrar tal e qual é, Bolsonaro junior exibiu em Miami uma camisola com a inscrição: «Seja bom, não seja comunista».

No caso do seu anfitrião, Orlando Gutierrez, em nome de uma chamada Assembleia da Resistência Cubana, chefiou nos últimos tempos, desde a rejeição à viagem dos cruzeiros para a Ilha, até o chamado «exílio», para tomar medidas a favor da criação de uma nova República.

(Nota: esta iniciativa não explica, mas imagino que essa «nova República» seja a de mais uma estrela na bandeira dos Estados Unidos)

Como «cartão de crédito» com a nova administração estadunidense, Gutiérrez e outros atrasados que vivem do negócio miserável da contra-revolução, dirigiram uma mensagem a Donald Trump para «agradecer pelas novas medidas implementadas contra Cuba».

Esse homem e outros latino-americanos da sua confiança foram convocados pelo deputado da extrema-direita, filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, ao qual eles mesmos chamam de uma «Cúpula Conservadora das Américas», a ser realizada no dia 8 de Dezembro, em Foz do Iguaçu, cidade localizada na tríplice fronteira entre o Brasil, a Argentina e o Paraguai. Entre os participantes confirmados estão José Antonio Kast, da extrema-direita que alcançou 8% dos votos nas eleições presidenciais chilenas; Orlando Gutiérrez, em nome da máfia cubano-americana de Miami; Jorge Jérez Cuéllar, general colombiano da reserva, e o opositor venezuelano, Miguel Ángel Martín. O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe também foi convidado.

Se Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo promoveram alianças com personagens como Orlando Gutiérrez e outros terroristas nos Estados Unidos, como podemos acreditar que a campanha contra os médicos cubanos no Brasil só tenha sido uma iniciativa do novo presidente e não um plano assessorado de Washington destinado contra Cuba e Venezuela, fundamentalmente?