Foi no dia 8 de Outubro de 1967 na Bolívia que Che Guevara foi preso. A guerrilha do Che estava reduzida a 17 combatentes.

Che decidiu retirar os doentes e fazer frente à tropa que perseguia os combatentes, de modo a permitir a progressão dos feridos.

Cercado pelo exército, Che é feito prisioneiro e assassinado por ordem do agente da CIA, Félix Rodriguez.

Um jovem soldado entra no local onde se encontra Che Guevara e este, percebendo que ia ser assassinado, grita-lhe ”Acalme-se! Faça boa pontaria! Vai matar um homem!”

Foram necessárias duas rajadas para matar o Che.

Muitos anos mais tarde, este soldado viria a cegar e, ironicamente, recuperaria a visão após intervenção realizada por um médico cubano, integrado na Operação Milagro, na Bolívia.

O plano de continuar a luta na América Latina, após o triunfo da Revolução Cubana, esteve sempre presente no espírito do Che, considerando que existiam condições para desenvolver a luta na Argentina.

As suas viagens pela América Latina, ainda muito jovem, tinham-no despertado para as condições de exploração das populações em países governados por oligarquias vendidas a interesses estrangeiros, sobretudo norte-americanos. O golpe de Estado, patrocinado pelos norte-americanos contra o governo legítimo da Guatemala, levou-o a concluir que apenas a luta armada levaria à libertação da América Latina.

Durante a sua permanência em Cuba, Che Guevara cumpriu sempre, com grande rigor e brilhantismo, as sucessivas tarefas que lhe foram atribuídas, participando na construção do socialismo, combatendo na invasão de Giron, defendendo o conceito de trabalho voluntário, com o objectivo de criar uma nova consciência na sociedade cubana, com a criação de um homem novo.

Dando o exemplo, participou no corte manual da cana do açúcar, trabalhou durante um mês com a primeira cortadeira construída em Cuba e em fábricas têxteis, incentivando o trabalho voluntário.

Os trabalhadores partiam para o trabalho voluntário de um local junto do Ministério e, muitas vezes, Che descia do gabinete onde tinha estado a trabalhar e, sem descansar, juntava-se aos restantes trabalhadores.

Che Guevara defendeu a criação de um homem novo, sem os defeitos e vícios do capitalismo, defendendo que o homem deverá forjar dia após dia o seu espírito revolucionário na solidariedade, disponibilizando-se para o sacrifício, superando o egoísmo do homem do passado.

Estando a avançar a construção da Revolução Cubana, Che manifestou interesse em retomar a luta na América Latina.

No entanto, um movimento revolucionário surgido no Zaire pediu apoio a Cuba para participar na formação dos combatentes, pelo que o Che e cerca de 100 cubanos viajaram para o Zaire, com o objectivo de dar formação militar aos zairenses.

Posteriormente, os zairenses consideraram que não estavam maduras as condições de unidade para um combate vitorioso, pelo que o contingente cubano regressou ao seu país, enquanto Che permanecia, mais alguns meses, na Tanzânia.

Regressado a Cuba, Che Guevara começou a preparar-se, com outros combatentes, para a guerrilha na Bolívia.

Hoje o local onde foi assassinado foi é objecto de peregrinação dos humildes.

Alguns chamam-lhe o “Santo Che” e cumprem promessas junto a um busto do herói, cumprindo ritos centenários e católicos.

Grandes foram as mudanças na América Latina. Após um tempo de grandes esperanças, verifica-se um grande recuo com os Estados Unidos a defenderem a Doutrina Monroe e com a substituição de dirigentes progressistas por fantoches vendidos ao Imperialismo.

Em Cuba, o homem novo, solidário, capaz de reconhecer irmãos, com consciência patriótica e internacionalista continua a ser construído desde o Triunfo da Revolução!

Os jovens que partiram para o campo nas campanhas de alfabetização e pôr termo ao analfabetismo, apesar dos riscos que corriam devido aos terroristas formados e infiltrados pela CIA; os soldados que partiram para África; os combatentes em Angola que se sacrificaram na luta pelo fim do Apartheid que, como disse Raúl, “retiramo-nos de Angola apenas trazendo connosco os corpos dos mortos em combate”; os especialistas de saúde que partem para os locais mais inóspitos do Brasil, onde os médicos nacionais recusam trabalhar; os especialistas de saúde que partiram para África para tratar pacientes com ébola; os especialistas de saúde que trataram as vítimas da cólera no Haiti, após o terramoto são exemplos de um homem novo, formado pela Revolução.

Este é o povo que debateu, de forma muito participada, linha a linha a nova Constituição que plebiscitou, de forma esmagadora.

Incapaz de compreender a coragem, o desinteresse, a solidariedade, o patriotismo deste povo, o Imperialismo agrava o bloqueio com o objectivo de levar a população a revoltar-se contra o governo revolucionário e a abandonar o seu apoio à Revolução Cubana! Tudo em vão!

Perante a falta de gasolina, o povo dá boleias a quem precisa, as motos oferecem transporte gratuito em Havana, avisam-se os vizinhos de que há combustível no quarteirão perto de casa! Os cubanos não dobram o joelho, nem perante esta dificuldade, nem perante a tentativa de Trump, para que devolvam os bens justamente nacionalizados a gangsters e latifundiários que roubaram o povo cubano!

O sentimento patriótico, que levou à independência na luta contra os espanhóis e pelo triunfo e defesa da Revolução, não permite soçobrar perante o inimigo!

Che, tal como Fidel, continua vivo, inspirando este povo enérgico e corajoso!