26 de Julho de 1953

26 de Julho de 2019

66 anos depois de Moncada

 

 

 

“Se Cristóvão Colombo não tivesse tido uma bússola, não teria chegado a nenhum lado. Mas existia uma bússola, eu também tinha uma bússola:

foi o que encontrei em Marx e em Lenine e a ética que encontrei em Marti”

 

Em 10 de Março de 1952,o ex-sargento Fulgêncio Baptista apoderou-se do poder através de um golpe de Estado, apoiado no exército, treinado e equipado pelos EUA.

Os partidos e os dirigentes tradicionais eram incapazes de organizar a resistência à ditadura enquanto o Partido Comunista era isolado pelas formações da burguesia.

A opção para pôr termo a esta situação seria um levantamento armado contra o moderno exército equipado pelos Yankees.

Fidel começou a reunir um grupo de combatentes compostos por pessoas de diversas profissões, em que somente quatro eram licenciados, alguns estudantes, padeiros, marceneiros, trabalhadores da construção civil e mecânicos.

Todos repudiavam a repressão política e as injustiças sociais, tinham uma ideia vaga sobre o ideário de Marti e alguns poucos teriam algumas noções de marxismo-leninismo.

O assalto fracassou, muitos dos jovens morreram em combate e cerca de 50 daqueles que foram feitos prisioneiro foram assassinados.

Fidel conseguiu refugiar-se nas montanhas com cerca de 20 homens, com o intuito de prosseguir a luta, mas foi capturado pelas forças da tirania.

Colocado em regime de isolamento, a tirania tentou impedir que Fidel comparecesse no julgamento e apresentasse a sua defesa. O apoio da associação de advogados cubana e pressões internacionais permitiram finalmente a sua comparência na audiência, onde apresentou a sua defesa ”A História me absolverá”, onde denunciou a miséria em que se encontrava o país e apresentou um programa de reformas que viria a ser cumprido, logo nos primeiros dias após a vitória.

A luta retomada em 1956 com o desembarque do Granma levaria à vitória da revolução exactamente 5 anos, 5 meses e 5 dias depois.

A vitória da revolução, que faz parte de uma luta muito antiga contra o ocupante espanhol, teve e tem uma influência decisiva na História da Libertação da América Latina do imperialismo.

Sim, Cuba, que sofre um bloqueio criminoso há praticamente 60 anos (apesar de sucessivamente condenado pela Assembleia Geral das Nações Unidas), continua a prestar assistência médica às crianças venezuelanas, que não podem ser tratadas no seu país em consequência desse outro bloqueio, tal como tratou e trata ainda as crianças vítimas de Chernobil, tal como enviou os seus médicos para África, com risco da própria vida, para tratarem e curarem as vítimas do ébola.

Esta mesma Cuba deu um contributo decisivo para a real independência de Angola e para a derrota do Apartheid!

Apesar dos golpes de Estado “jurídicos” ocorridos ultimamente na América Latina, com a chegada ao poder de chefes de Estado corruptos, alinhados com o imperialismo norte-americano, alguns cúmplices de crimes contra a sua própria população; apesar do bloqueio à Venezuela (em que alinha vergonhosa e criminosamente o governo português), Cuba resiste, aprova uma Constituição discutida e plebiscitada pelo seu povo, numa manifestação única de democracia popular, e toma medidas para continuar a resistir.

Neste mundo mais perigoso, mais instável, perante a ofensiva imperialista e em que o fascismo levanta a cabeça sem pudor, é nosso dever defender Cuba, manifestar a nossa solidariedade demonstrando que outro mundo é possível.

 

Confiamos no povo e na revolução cubana e recordamos as palavras de Diaz Canel:

 

De Fidel a Raúl aprendemos a descartar o lamento inútil e a concentrar-nos na busca de saídas, a transformar os desafios em oportunidades e os retrocessos em vitórias!

 

Viva Cuba! Viva o 26 de Julho! Vivam Fidel e Raúl!

 

(ver artigo completo no Boletim de Julho)

 

Julho, 2019