Caros companheiros, estimados convidados.

A Associação de Amizade Portugal Cuba, no momento em que celebramos o 60º Aniversário do Triunfo da Revolução, saúda todos os presentes que assim quiseram manifestar o seu reconhecimento ao Povo Cubano e à sua Revolução, processo inspirador para todos quantos lutam por um mundo mais justo e solidário.

60 anos foram vencidos, repletos de dificuldades e que só a elevada consciência política, a capacidade de resistir e o amor à sua Pátria soberana, tornaram possível alcançar esta vitória.

A República de Cuba é, recorrentemente, alvo de campanhas internacionais sustentadas na ideia de que no País os direitos humanos não são respeitados e que o seu regime político oprime o seu povo que vive na miséria.

Contudo as estatísticas de Cuba, estudos comparativos regionais e relatórios internacionais, nomeadamente da ONU, e a própria realidade demonstram que, apesar de “cercada” por um criminoso bloqueio económico imposto pelos EUA há mais de meio século (bloqueio que se mantém, mesmo contra as votações realizadas na ONU em que mais de 190 estados expressaram o seu desejo e apoio ao levantamento do bloqueio), Cuba regista conquistas exemplares no campo da economia e dos direitos sociais, saúde, educação e cultura, que fazem daquele País um dos países mais avançados da América Latina em índices essenciais de desenvolvimento humano.

Em 1959 não teve início apenas um percurso revolucionário. A materialização do sonho chegou também e a esperança tornou-se em realidade. Porventura serão essas as maiores conquistas de Cuba, juntamente com a certeza de que, se for justa, a revolução prossegue, com o apoio popular, corrigindo-se, quando necessário, e ajustando-se sempre que possível. Tamanho património material da humanidade tem, pelo vigor da sua verdade, força de aço. Em 60 anos, Cuba mostrou ao mundo, nas piores condições, a vontade soberana e colectiva de um povo.

O exemplo da Revolução Cubana espelha-se nos povos que combatem pela justiça e pela democracia, nas nações que escolhem o seu próprio caminho, autónomo e livre. Mas é um facto, as conquistas da revolução cubana não existiriam sem a determinação do seu povo.

 

Estimados companheiros e companheiras:

Este nosso evento realiza-se num momento de grande instabilidade e complexidade no plano internacional, indissociável de uma profunda crise do capitalismo que se expressa, não só no campo económico e social, como no político.

Neste quadro o imperialismo, e desde logo o imperialismo norte-americano, desfere uma violenta ofensiva que visa aumentar a exploração e opressão dos povos, manter os seus instrumentos de domínio, subordinar povos e países, submeter a luta por reais alternativas ao sistema dominante e contrariar o declínio económico relativo das principais potências imperialistas.

Trata-se de uma ofensiva cada vez mais assente na violência, na guerra, na ingerência e, como noutros momentos da História, numa regressão social e democrática que, juntamente com os ataques à soberania nacional, está na origem da emergência de forças fascistas em variados pontos do Globo.

 

Neste contexto não podemos deixar de demonstrar a nossa solidariedade com o Presidente Nicolás Maduro, a Revolução Bolivariana e o seu Povo.

 

Acontecimentos recentes contra a Venezuela são demonstrativos da desfaçatez e desespero dos algozes imperiais.

Ao golpe de estado que o imperialismo dos Estados Unidos e as forças reaccionárias internas vêm desenvolvendo contra o governo constitucional da Venezuela, Trump acrescenta, agora, mais achas à fogueira ao promover e apoiar o fantoche Guiadó como presidente, pretendendo criar um governo paralelo, que carece de legitimidade e de apoio legal na Constituição da República Bolivariana da Venezuela e é repudiado pela esmagadora maioria do povo.

Convém recordar que o Presidente Nicolás Maduro foi eleito com mais de 6 milhões de votos (68% dos votos expressos), de entre 4 candidatos, em eleições livres e democráticas, através de voto universal, directo e secreto.

Todas as instituições do Estados como a Comissão Nacional Eleitoral, o Tribunal Superior de Justiça, o Conselho Moral da República, a Força Armada Bolivariana, a Assembleia Nacional Constituinte e ainda, a esmagadora maioria do povo rejeitaram e repudiaram a inadmissível intromissão nos assuntos internos da Venezuela e reafirmaram o apoio incondicional ao Presidente Constitucional Nicolás Maduro.

A Revolução Bolivariana irá continuar o seu caminho porque é uma Revolução feita pelo Povo, para o Povo, sustentada na Constituição Revolucionária e na aliança cívico-militar que visa a consolidação da soberania da República Bolivariana de Venezuela e a construção de uma sociedade socialista

 

A Venezuela vencerá!

 

Cuba e Venezuela, e de forma geral a América Latina, são alvo de uma violenta ofensiva do imperialismo na região. O imperialismo e os grandes monopólios latino-americanos tentam travar o rumo de progresso, de afirmação soberana e democrática e de cooperação solidária que há mais de 15 anos foi iniciada na América Latina com o contributo decisivo de Cuba. Simultaneamente, nem a América Latina, nem Cuba, são imunes aos devastadores efeitos da crise económica mundial do capitalismo. Pelo contrário, o imperialismo tenta usar essa mesma crise económica para tomar de assalto o poder em variados países como o demonstra a situação no Brasil.

É assim, num complexo contexto que Cuba dá passos decididos, procurando ajustar-se às novas realidades e, com a participação do Povo, em largas centenas de reuniões, construiu um novo texto constitucional, que será votado no próximo mês de Fevereiro.

Os objectivos são claros, visam o aperfeiçoamento do seu sistema socioeconómico, a defesa da sua independência, soberania e conquistas revolucionárias. As complexidades não são poucas e os desafios imensos, mas é certo que a Revolução avança.

 

Cuba Vencerá!

 

É esta a nossa convicção!

26.01.2019